Cidades isoladas e vias interditadas em todo o estado de RS

Estado já soma 29 bloqueios em rodovias federais e estaduais

22/06/2025 às 01:30
Por: Redação

O Rio Grande do Sul enfrenta um novo fim de semana sob forte impacto das chuvas. Conforme balanço atualizado da Defesa Civil estadual, divulgado na tarde deste sábado (21), ao menos 121 municípios já relatam prejuízos provocados por enchentes e alagamentos. O número de pessoas fora de casa chegou a 7.972 — sendo 1.914 acolhidas em abrigos e outras 6.058 hospedadas em residências de parentes ou amigos.

 

A situação mais crítica ocorre na Fronteira Oeste, onde o Rio Uruguai está em elevação há seis dias consecutivos. O nível permanece acima da cota de inundação nos municípios de Uruguaiana, Itaqui — com dois pontos de transbordamento — e São Borja. Em Alegrete e Manoel Viana, outros rios também estão acima da cota de cheia, ampliando os estragos na região.

No Vale do Sinos, o Rio dos Sinos atingiu 5,07 metros em São Leopoldo no fim da tarde deste sábado, ultrapassando a cota de inundação em 57 centímetros. Já no Vale do Caí, o Rio Caí alcançou 6,82 metros em Montenegro, ficando 82 centímetros acima da marca de transbordamento.

 

Situação crítica
Outras cidades em estado de emergência incluem Agudo, Dilermando de Aguiar, Cacequi, Dona Francisca, Faxinal do Soturno, Formigueiro, Nova Palma, Restinga Sêca, São Martinho da Serra, São João do Polêsine, São Vicente do Sul, Ivorá, Tupanciretã, São Pedro do Sul, Unistalda e Rosário do Sul.

Em Cachoeira do Sul, o Rio Jacuí atingiu 26,51 metros na sexta-feira (20), a terceira maior marca já registrada no município — atrás apenas das cheias históricas de 1941 e maio de 2024, quando o nível alcançou 29,55 metros. Na manhã de sábado, o rio recuou levemente para 26,32 metros, mas ainda supera em mais de cinco metros a cota de inundação.

 

Cerca de 600 pessoas estão fora de casa na cidade. Pelo menos 170 delas estão acolhidas em três abrigos municipais. As regiões mais afetadas incluem os bairros Cristo Rei, Vila Piquiri e Estrada da Ferreira, na zona rural. Das três vias principais de acesso ao município, duas seguem interditadas: a ponte do Fandango, na BR-153, e a ERS-403, que liga Cachoeira a Rio Pardo. A única saída viável é pela RSC-287.

 

Cenário regional
Em Rio Pardo, a cheia também causou prejuízos. A ERS-403 apresenta vários pontos de bloqueio, e a ponte entre Rio Pardo e Pantano Grande opera em sistema de pare e siga.

 

Na Região Metropolitana, Canoas vive um cenário delicado na Praia de Paquetá, onde centenas de famílias permanecem ilhadas. A localidade está completamente submersa, com vias intransitáveis para veículos e pedestres. O acesso só ocorre por balsas e motos aquáticas. Equipes da Defesa Civil entregaram cestas básicas e kits de higiene neste sábado. A maioria das 120 famílias preferiu não deixar suas casas, mesmo diante da situação.

Segundo o secretário de Defesa Civil e Resiliência de Canoas, Vanderlei Marcos, o auxílio humanitário foi antecipado para mitigar os efeitos da enchente nas famílias que optaram por permanecer. Um posto de atendimento permanente foi instalado na entrada da comunidade para oferecer suporte e orientação.

 

Ações e impactos
Eldorado do Sul também enfrenta sérios transtornos, com mais de mil moradores obrigados a deixar suas residências. Os bairros Cidade Verde, Chácara, Itaí e Picada são os mais afetados. No bairro Picada, militares do 18º Batalhão de Infantaria Motorizado, de Sapucaia do Sul, utilizam caminhões para atender os moradores em áreas alagadas. O comandante do batalhão, tenente-coronel Ivan Werberich, afirmou que as ações estão mais coordenadas do que nas enchentes de 2024 e elogiou a resposta da Defesa Civil.

 

Desde o dia 18, a Secretaria de Desenvolvimento Social organizou abrigos preventivos, com atendimento multidisciplinar que inclui assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros e técnicos de enfermagem.

O estado também registra 29 bloqueios em rodovias estaduais e federais, provocados por colapsos de pontes, desmoronamentos de pista e interdições estruturais, o que dificulta o deslocamento de equipes de resgate e da população.


 

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